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[Resenha] Uma dama fora dos padrões - Julia Quinn

Título: Uma dama fora dos padrões (Os Rokesbys  #1)
Autor (a): Julia Quinn
Publicação: Arqueiro- 2018
Número de páginas: 272
Onde encontrar: Amazon,  Skoob
Nota: 🌟🌟🌟🌟,5
"Mas é claro que era ele. Porque quem mais passaria por ali no pior momento dela, no mais estranho e embaraçoso, na única maldita hora em que ela precisava ser resgatada?"
Billie Bridgerton não é uma dama comum. Umas das coisas que há faz diferente é sua impulsividade, e é justamente em um impulso que ela decide ajudar um gato. Nada de mal poderia acontecer certo? Errado, porque Billie acaba presa em um telhado e quem aparece pra ajudá-la é justamente a última pessoa que ela poderia desejar: George Rokesby. A família de Billie e a de George eram vizinhas em Kent, e a moça cresceu brincando com os irmãos dele, mas os dois nunca se gostaram. Pelo menos até que o acaso os coloca juntos, e algo de diferente surge. A medida que convivem, eles  surpreendentemente passam a sentir algo além da irritação habitual. Será que a pessoa que você mais detesta pode ser a mesma sem a qual você não quer viver?
"- Você tem uma percepção conveniente da realidade." 
"- Conveniente para mim, sim."
Julia é uma das minhas autoras de romance de época favorita, sempre quero ler suas histórias. Um das razões desse amor, são os núcleos familiares que ela cria. Cheio de afeto, mas cheio de pertubações familiares, o que trás muito humor pra seus romances. Foi assim na série "Os Bridgertons", em "Quartero Smythe-Smith" e AINDA BEM é assim também em "Os Rokesbys". Amei a interação não só entre cada família, mas principalmente entre a família Bridgerton e a Rokesby. 
"- Eu não tentaria subir em uma árvore de vestido" 
"- Não - rebateu ele secamente - você é muito sensata para isso"
"-Estou carregando você escada abaixo. Seria bom ser gentil comigo." 
"-Entendido - aquiesceu ela"
A protagonista dessa história é incrível, amei suas singularidades! Uma mulher a frente do seu tempo, que tem outras prioridades além do que se espera socialmente de uma dama. Billie é extremamente divertida e meio doidinha, o que já me fez amar ela. Gostei das trocas com George, cheias de sarcasmo de ambos os lados. Eu gosto muito desse tipo de conflito entre o casal. George não despertou minha paixão, principalmente porque não concordei com alguns posicionamentos dele, mas curti muito a forma como Julia o construiu. É um personagem que tem um quê de profundo, já que guarda bastante dentro de si, além do que as pessoas veem. E eu gosto disso. 
"Para os dois, o jogo se tratava menos de vencer do que de garantir que o outro não ganhasse"
As histórias da Julia fluem muito bem, são leves e divertidas. Suas protagonistas costumam ser a frente do seu tempo e questionar as regras sociais. Até hoje só não gostei de um livro que li dela (e já li muitos 😂😂). Como eu já falei, o muito legal nessa história é o núcleo. Duas famílias amigas, personagens que cresceram juntos, cheias de histórias divertidas. Você se sente parte da família, e dá aquela vontade de acompanhar a história de todos. Super indico! Ahh e se você é fã como eu, e amou os Bridgertons jogando ao ar livre em "O visconde que me amava" vai matar a saudade do jeitinho Bridgerton de competir acompanhando uma partida divertidíssima de croquet 😂😂😂. 




[RESENHA] No meu sonho te amei - Abbi Glines

Título: No meu sonho te amei
Autor (a): Abbi Glines
Publicação: Arqueiro - 2019
Número de páginas: 240
Onde encontrar: AmazonSkoob
Nota: 🌟🌟,5
Vale e Crawford se apaixonaram aos 6 anos de idade, e desde então foram uma constante na vida um do outro. Quando se formaram na escola, tinham todo um futuro juntos planejado, a Universidade dos sonhos a espera, até que um acidente muda tudo. Agora, o presente é um recomeço cheio de escolhas difíceis. Como seguir em frente sem a pessoa que sempre esteve ao seu lado? Quem é você sem um relacionamento antigo? Quando é a hora de deixar a pessoa ir? 
"-É como se eu precisasse encontrar a mim mesma outra vez..."
"-Já passou da hora - respondeu ele"
Essa é uma resenha difícil, porque o livro tem muitas informações que eu não quero revelar. Por isso a sinopse minúscula (sim, foi de propósito!). Eu sou o tipo de leitora que ama descobrir coisas ao longo da leitura e eu odiaria atrapalhar isso para outra pessoa. Achei até que a sinopse no volume revela muito, então se você também gosta de juntar sozinha os pedacinhos da história, não leia! Eu me aventurei sem ler, só porque era um livro da Abbi, e não me arrependi disso.
Então, não vou me aprofundar em quem são os personagens, mas sim no que funcionou e no que não rolou pra mim. "No meu sonho te amei" é dividido em duas partes, e meu principal problema foi a primeira. Não consegui me conectar com os personagens, nem concordar com seus dilemas. Pelo contrário, fui contra e até me indignei  com algumas linhas de pensamento ( principalmente por isso, a nota). 
"Relacionamento tem a ver com a felicidade de ambos"
Pra mim Vale é uma garota bem insegura, que precisa de amor próprio. Ela tinha que fazer escolhas, e ficava se achando egoísta, por questões que não faziam o menor sentido. Até quando ela se priorizava, ela justificava isso nos outros, então passei umas raivas. Eu esperava que ela crescesse e se descobrisse, mas no fim, pra mim ela ainda estava fazendo as coisas certas pelos motivos errados. Ela melhora um pouco depois, mas quando isso enfim acontece, eu já não me importava muito com ela. 

Outra coisa que não gostei foram as tiradas de um personagem masculino sobre "o tipo de garota...". Como se um determinada situação fosse aceitável para um "tipo" de garota e para outro não. A pelo amor de Deus, quis matar ele por esses julgamentos. Nenhum humano merece determinado tratamento e pronto, odiei ele ficar separando as pessoas em nichos pelos seus hábitos. Como se uma mulher valesse mais do que a outra. 
"A vida coloca essas pedras no nosso caminho....essa não será a única"
O que amei foi como a autora me surpreendeu. A história tem um SUPER Plot Twist, e ela deu muito na minha cara! Nunca esperava... e como eu falei eu vivo tentando adivinhar os rumos da história, então adoro quando sou surpreendida. Eu também gostei bem mais da parte 2 do que da primeira, então as coisas foram melhorando depois da reviravolta. Mas infelizmente, como já tinha amarrado tanto a leitura até ali, continuou não sendo uma das minhas histórias favoritas. Será pra você vai ser assim também? Me conte o que achou! Se eu sou doida por não ter gostado ou se pra você também foi assim! 










[Resenha] A irmã da lua - Lucinda Riley

Título: A irmã da lua (As sete irmãs #5)
Autor (a): Lucinda Riley
Publicação: Arqueiro - 2018
Número de páginas: 592
Onde encontrar: AmazonSkoob
Nota: 🌟🌟🌟🌟,5

"A vida tem a ver com intuição e um pouco de lógica. Se você aprender a equilibrar os dois, qualquer decisão que tomar será naturalmente a correta."

Nesse quinto volume chegou a vez de Tiggy descobrir a sua história e as suas origens. Ela embarca numa jornada inicialmente em busca do seu lado profissional, ja que, ela tem uma carreira com proteção aos animais e é nesse intuito que ela chega na Escócia, onde ela faz amigos, se envolve em mistérios e abre uma grande porta para o seu passado. Deixando a Escócia para se descobrir, Tiggy vai para a Espanha, conhecer a história da sua família biológica e é aí que conhecemos Lucía e a sua história.


Ao dar o start nessa história achei Tiggy a personagem mais peculiar das irmãs. Ela tem um lado naturalista e amante da natureza que a faz única entre as demais. Ela é a típica personagem mais calma e tranquila, de coração bom, mas também muito esperta. Assim como as suas irmãs, Tiggy inicialmente só quer seguir em frente, até se esbarrar casualmente com o seu passado. Ela é uma personagem muito boa de se conhecer, ela foi feita em um molde muito único pela autora. 
"Esse é o ciclo da vida, Tiggy, cheio de olás e adeus, e você tem que entender isso o mais rápido possível."
Como de costume, é uma narrativa que mescla passado e presente. O presente conta a vida da personagem no tempo atual, em busca de seus sonhos e sucesso profissional, conhecendo novas pessoas e se envolvendo também em barraco de família e mistério em cidade pequena hahaha. E depois de tudo isso, então ela embarca para a Espanha e aí que acontece o boom do livro. Confesso que até o momento em que ela embarca para lá eu estava com bastante medo de me decepcionar com esse volume.



Quando ela chega na Espanha conhecemos então a história de suas ancestrais María e Lucía. e a história vai andando e nos apresentando uma Espanha muito antiga e num bairro bem pobre. Vemos a cultura espanhola, o linguajar e, mais que isso, a cultura cigana de lá. As ancestrais espanholas narram as suas vidas em grutas. Lucía torna-se uma grande estrela da dança espanhola e conquista seu espaço, tanto no seu pais como fora dele, mas acontece é que ela é uma personagem insuportável, desculpe-me até a forma grosseira de descrevê-la. Mas infelizmente foi isso que achei. Foi muito difícil de engoli-la e de ler a narração sobre a sua história, porque ela era uma mulher muito chata! 
Eu já estava conformada de que seria um dos volumes que eu menos iria gostar. Mas a trama vai e volta tantas vezes e somos surpreendidos com tanto elementos que ao juntar tudo não tem como não gostar.
"Aye, família é tudo. Podemos odiá-los com toda a nossa força, mas, se alguém de fora machucar, nós os defendemos até a morte."
É o volume com mais personagens peculiares que eu já li dessa série, alguns dificeis demais de gostar, outros muito carismáticos. As pessoas que ela conheceu na Escócia são demais! 
Mas é um história recheada de contexto histórico, culturas, guerras e muito aprendizado sobre amor, família, recomeços e lealdade.

E mais uma vez  finalizo um volume dessa série loucamente ansiosa pelo próximo.
"Afinal, família a gente não escolhe."

[Resenha] Um acordo pecaminoso - Lisa Kleypas

Título: Um acordo pecaminoso (Os Ravenels #3)
Autor (a): Lisa Kleypas
Publicação: Arqueiro- 2018
Número de páginas: 304
Onde encontrar: Amazon, Saraiva, Skoob
Nota: 🌟🌟🌟🌟🌟

Enquanto algumas jovens sonham em encontrar o casamento ideal, Lady Pandora Ravenel, sonha com sua independência. Convencida pela família a participar da temporada social, ela vivia inventando desculpas para ficar sentada nos cantos dos salões. Até que em um baile, ela se envolve em uma confusão e acaba comprometendo sua honra. Gabriel, Lorde St. Vincent, vivia adiando a busca por uma noiva. Em uma noite, ele encontra uma jovem em uma situação comprometedora no jardim e decide ajudá-la. Mas, os dois acabam sendo pegos juntos, e não vê outra saída a não ser pedi-lá em casamento. Quando as famílias deles decidem se conhecer melhor no interior para tomar uma decisão sobre o matrimônio, Pandora e Gabriel passam uma semana na companhia um do outro. E é ai que Pandora vai se descobrir desejando coisas que nunca sonhou, coisas essas que podem por em risco a independência que ela sempre quis. Poderia ela ser feliz em um futuro diferente do planejado?

Apesar de ter adorado o segundo livro da série "Os Ravenels", não estava muito animada para ler o terceiro. As gêmeas sempre foram personagens ok para mim, não despertavam muitas emoções. Contudo, depois da leitura, esse se tornou meu preferido! Simplesmente amei que a Lisa ligou essa história a personagens de outra série que AMO AMO AMO de paixão: as quatro estações do amor! Comecei "Um acordo pecaminoso" sem ler a sinopse (se é da Lisa Kleypas eu vou ler,  mesmo sem adorar as protagonistas), então eu descobri a ligação quando comecei. Foi o máximo!
"O senhor não quer se casar comigo, milorde. Eu seria a pior esposa possível. Sou esquecida e teimosa, e não consigo ficar sentada por mais de cinco minutos. Estou sempre fazendo o que não devo....e comprometi meu caráter com uma grande quantidade de leituras não recomendadas..."
Pandora Ravenel é uma mulher incomum, bem diferente do que a sociedade espera de uma Lady. Muito sincera, apaixonada e impulsiva, vive fazendo o que deseja e assim se mete em várias confusões.  Ela é jovem, mas sabe o quer quer pra sua vida. Acabei gostando muito dela depois que a conheci de verdade nessa leitura. Já Gabriel...se Pandora tinha dúvidas, eu nunca tive! Me apaixonei por ele em instantes. O protagonista acaba também sendo bem sincero e transparente, gostei  muito da forma como ele demonstrou o que sentia e como não tentou mudar a pessoa que ele ama. 
"Ela era bela e recatada, com todos os cachos e babados no lugar...Uma jovem adorável. Que não despertou o menor interesse nele..."
A história é bem divertida, principalmente por causa da interação deles e da relação da família de Gabriel (aquele tipo de família que se ama e se perturba - meu tipo favorito). Pra mim a autora  também acertou na forma como discutiu, mais uma vez,  o papel da mulher dentro dessa sociedade, como nem todas desejam as mesmas coisas, as mesmas vidas, e podem querer coisas diferentes pra ser feliz. 
" - Há jovens damas que têm outros objetivos além de encontrar um marido - argumentou Westclif, irônico. - É mesmo? Nunca conheci uma dessas.- Acredito que tenha acabado de conhecer....uma excluída - disse ele, baixinho, ainda com um leve sorriso"
Ahh, eu amei esse livro! Rever personagens queridos, ver como a família que eles formaram é incrível (e divertida!), além de já ter uma chance de na própria história ver um pouco da vida do casal. Eu gosto disso, de quando o autor cria um enredo que nos mostra o inicio da paixão, mas também nos da um pouco mais do depois. O amor construído também foi um ponto alto, baseado no respeito e na liberdade. Enfim, realmente foi meu favorito até hoje. Lisa Kleypas arrasa, sou fã! E já estou cheia de expectativas para o próximo! 


[Projeto] Clássicos de A a Z

Projeto Literário de Clássicos de A a Z

E aí, pessoal, tudo bom?
Agora virão as sequencias de posts sobre metas, projetos e desafios para 2019! uhu!
E esse projeto, criado pelas meninas dos instagrams: @leiturasdajen, @bibliotecadadi e @contudoeentretanto, é um dos que estarei participando ao longo do próximo ano.
Tem um tempo já que os meu gosto literário vem se modificando e achei que seria ótimo investir nos clássicos, já que, é um estilo de leitura que tenho gostado de fazer.

O calendário dos primeiros   meses do projeto é o seguinte:

  • Janeiro: Letra A - Ane Brontë: A senhora de Wildfell Hall

Clássico da literatura inglesa, considerado o primeiro romance feminista, em edição integral. 

Filha mais nova da família Brontë, Anne era irmã de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivantes, e de Charlotte Brontë, autora de Jane Eyre — livros clássicos e reeditados até hoje. Anne Brontë (1820-1849) desafia as convenções sociais do século XIX neste romance, A senhora de Wildfell Hall. A protagonista da obra quebra os paradigmas de seu tempo como uma mulher forte e independente, que passa a comandar a própria vida. Ao chegar à propriedade de Wildfell Hall, a Sra. Helen Graham gera especulação e comentários por parte dos vizinhos. O jovem fazendeiro Gilbert Markham, por sua vez, desperta um grande interesse pela moça e, aos poucos, vai criando uma amizade com ela e com seu filho. Porém, os segredos do passado da suposta viúva e seu comportamento arredio impedem que o sentimento nutrido pelos dois se concretize, fazendo com que Gilbert tenha dúvidas sobre a conduta da moça. Quando a Sra. Graham permite que ele leia seu diário a fim de esclarecer os fantasmas do passado, o rapaz compreende os tormentos enfrentados por aquela mulher e as razões de suas atitudes. Ela narra sua história até então, desde a relação com um marido alcoólatra e de conduta abominável até a decisão de abandonar tudo em nome da proteção do filho.

Editora Record | 2017 | 504 páginas | Onde encontrar: Skoob, Amazon

  • Fevereiro: Letra B - Bran Stocker: Drácula 

Um pavoroso embate entre bem e mal que seduz milhares de leitores há mais de um século. Fonte de inúmeras adaptações para palcos e telas, e, inspiração para artistas, escritores e músicos de todas as áreas, Drácula é um ícone obra máxima e incontestável de Bram Stoker. De um lado o conde Drácula, o mais famoso vampiro da literatura, e sua legião crescente de mortos-vivos. De outro lado, um grupo unido e decido a caçá-lo: o casal Harker e o médico holandês, Van Helsing, e seus amigos. Romance epistolar ágil e bem construído, esse livro enredará também você nessa dramática corrida contra o tempo. Essa edição traz apresentação de obras e vida do autor, cronologia, centenas de notas e o texto integral de Bram Stoker, tudo isso no padrão de qualidade dos Clássicos Zahar. A versão impressa apresenta acabamento de luxo e capa dura

Zahar | 2015 | 476 páginas | Onde encontrar: Skoob, Amazon, Kindle Unlimited

  • Março: Letra C - Clarisse Lispector: Perto do coração selvagem

Em Perto Do Coração Selvagem, Clarice narra a história de Joana, uma moça que logo fica órfã de pai e mãe, e que desde sempre tem o costume da introspecção. Falando-se de Lispector, e em especial este livro, a sensação que percorre as veias depois da leitura é de um mergulho tão profundo em si mesmo, profundo o suficiente para não se voltar mais à superfície como antes.
A narrativa do romance é quebrada, feita de flashbacks da memória da personagem principal, que se fundem com seu dia-a-dia, com os diálogos com os outros personagens. Diálogos que não aparecem muito durante a leitura, mas que sempre deixam a sensação de serem monólogos, devido ao fato de Clarice jamais abandonar a percepção da mente do personagem frente a palavras e meios externos.
O romance caminha em passos árduos, num silêncio branco. Árdua é a leitura do livro, pois como foi dito, não se volta mais a superfície como antes. É um mergulho, é uma tentativa de saber a si mesmo, de perguntar-se pouco, compreender mais e entender o que for necessário. É um romance pra sentir "no estômago", e não para ser entendido. Clarice Lispector é deveras humana, a sua busca pela lucidez revela, de um outro ângulo, sua insatisfação com uma realidade moldada. Joana, a personagem do livro, entende que é eterna em seu pensamento contínuo: e chega a cansar-se várias vezes. Mas prossegue, como uma lagarta que mesmo machucada, gorda de si mesma e feia, tece um casulo em volta de si para alcançar seu outro estágio. Como disse Hermam Hesse " Não há caminho mais obscuro para o homem do que aquele que o leva para si mesmo". Clarice mostra, neste romance, que o caminho é obscuro apenas enquanto não encontramos, reconhecemos, identificamos e transmutamos nossa própria luz. O túnel é profundo, mas como se saber o que tem no final se nos acostumamos com a escuridão da inconsciência?

Editora Rocco | 1998 | 204 páginas | Onde encontrar: Skoob, Amazon 

  • Abril: Letra D - Daniel Defoe: Robinson Crusoé

O argumento básico de Robinson Crusoé é universalmente conhecido. Isolado em sua “Ilha do Desespero” (ao largo da atual Venezuela) após um trágico naufrágio, o marujo inglês luta pela sobrevivência valendo-se de todos os escassos meios a seu alcance. Com o tempo e os utensílios recuperados do navio, ele chega a se tornar um competente marceneiro e agricultor, além de pastor de cabras e profundo conhecedor da Bíblia - a única leitura disponível. Sem contato com qualquer ser humano por mais de duas décadas, certo dia Crusoé salva um nativo do assassinato por canibais que haviam aportado numa das praias da ilha, e logo o faz seu criado, dando-lhe o nome de Sexta-Feira. Alguns anos mais tarde, o acaso leva um navio inglês às proximidades da ilha, dando início a um longo conflito com a tripulação amotinada.
O livro também conta com uma alentada introdução de John Richetti, professor emérito de literatura inglesa na Universidade Columbia e reconhecido especialista na obra de Daniel Defoe

Editora Penguin-Companhia | 2012 | 408 páginas | Onde encontrar: Skoob, Amazon

  • Maio: Letra E -  Érico Veríssimo: Olhai os lírios do campo

Eugênio Fontes, moço de origem humilde, a custo se forma médico e, graças a um casamento por interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, porém, é obrigado a virar as costas para a família, deixar de lado antigos ideais humanitários e abandonar a mulher que realmente ama. Sensível, comovente, "Olhai os Lírios do Campo" é um convite à reflexão sobre os valores autênticos da vida.

Editora Companhia das Letras | 2005 | 288 páginas | Onde encontrar: Skoob, Amazon 


  • Junho: Letra F - Fiódor Dostoiévski: Memórias do subsolo

Escrito na cabeceira de morte de sua primeira mulher, numa situação de aguda necessidade financeira, 'Memórias do Subsolo' condensa um dos momentos mais importantes da literatura ocidental, reunindo vários temas que reaparecerão mais tarde nos últimos grandes romances do escritor russo. Aqui ressoa a voz do homem do subsolo, o personagem-narrador que, à força de paradoxos, investe ferozmente contra tudo e contra todos.

Contra a ciência e contra a superstição, contra o progresso e contra o atraso, contra a razão e a não razão; mas investe, acima de tudo, contra o solo da própria consciência, criando uma narrativa ímpar, de altíssima voltagem poética, que se afirma e se nega a si mesma sucessivamente. Não é por acaso que muitos acabaram vendo neste livro uma prefiguração das ideias de Freud acerca do inconsciente. O próprio Nietzsche, ao lê-lo pela primeira vez, escreveu a um amigo: "A voz do sangue (como denominá-lo de outro modo?) fez-se ouvir de imediato e minha alegria não teve limites".

Ediota 34 | 2000 | 152 páginas | Onde encontrar: Skoob, Amazon

  • Julho: Letra G - George Orwell: A revolução dos bichos

Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, 'A Revolução dos Bichos' é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stalin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, a obra passou a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell repetiria o mesmo gesto anos mais tarde com seu outro romance 1984, finalizado-o às pressas à beira da morte para que o mesmo service de alerta ao ocidente sobre o horrores do totalitarismo comunista.
É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens. Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo.

Editora Companhia das Letras | 2007 | 152 páginas | Onde encontrar: Skoob, Amazon

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E aí, pessoal, bora ler?  =)
Trago resenhas a medida que eu for lendo 

Beijocas,