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A redoma de vidro - Sylvia Plath


Título: A redoma de vidro
Autor (a): Sylvia Plath
Publicação: Biblioteca azul - 2014
Número de páginas: 280
Onde encontrar: Skoob, Amazon, Saraiva, Submarino
Nota: 🌟🌟🌟🌟,5
"Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim."
Esther é uma garota sonhadora. Ela saiu de sua cidade pequena (Boston) e foi para a cidade grande (Nova York) estudar. Cheia de sonhos, ela se dedica aos seus estudos e ao seu estágio numa renomada revista de Nova York, que por muito esforço ela conseguiu arranjar. Suas colegas vivem regadas de festas, bebidas, homens, luxúria, etc e sempre arrumam um tempinho para criticar Esther por se dedicar demais somente aos estudos.
Esse estilo de vida na cidade grande começa a pressionar Esther a se adaptar a esse diferente modo de pensar e viver.
Por ser uma garota muito sonhadora (e com sonhos grandes), ela queria mais do que o que toda mulher do seu tempo quer, ela quer mais que uma família, marido, filhos e uma casa para cuidar, ela quer sucesso profissional, reconhecimento. Esther se vê frustrada porque a realidade é muito diferente do sonho que ela idealizou. Ela vive em nova York onde tudo é status, dinheiro, luxo, futilidades... diferente dela que tudo que ela deseja é uma vida profissional de sucesso (Ela quer ser escritora de sucesso).
Sua frustração acaba pertubando Esther, fazendo a sua mente funcionar a mil por hora e quando ela volta para casa nas suas férias de verão Esther se questiona sobre muitas coisas da sua vida atual e pensa em abrir mão dos seus sonhos.


Antes de começar esse livro tinha lidos algumas resenhas em que falavam sobre ser um livro cansativo e arrastado, mas resolvi arriscar. Entendi o que as pessoas quiserem dizer sobre a narrativa, mas compreendi que era necessário para a construção da personagem. Esther é uma personagem que fica perturbada e se não fosse bem construída, a história poderia parecer sem pé nem cabeça.
Passei alguns dias refletindo sobre a história e cheguei a conclusão de que apesar de ser um livro narrado no verão de 1952, é muito atual. A sociedade e as pessoas continuam nos cobrando sonhos e a essa pressão acaba afetando a nossa sanidade, assim como a de Esther porque ela se cobrava tanto a cerca dos seus sonhos que acabou se perdendo. A sociedade ainda tem preconceito com a pessoa depressiva. E ainda insiste em diminuir a mulher.

A abordagem do serviço de saúde naquela época é algo também muito impactante nessa história. Ao longo da história vemos como eram tratadas de modo discriminativo essas pessoas, eram imediatamente "escondidas e separadas" do resto da sociedade. As pessoas com depressão eram tidas como "loucas" e submetidas a tratamentos de choque e isoladas em manicômios.


Comentei com CL e ela disse "Hum, um clássico atual, né?" e é exatamente isso! Foi escrito a tantos anos atrás, mas ainda sim vemos histórias tão parecidas com a de Esther nos dias atuais. E uma realidade no sistema de saúde não muito diferente. Ainda existe muito preconceito em relação a depressão.

Somos cobrados sobre o nosso futuro, o que queremos ser, fazer, que muitas vezes nem conseguimos pensar com clareza sobre essas respostas porque queremos fazer com que tudo aconteça rapidamente. E acabamos automáticamente nos cobrando demais, assim como Esther. Esther encontra-se então em uma redoma de vidro. Ela é uma personagem tão real, enfrentando situações tão reais. Me vi apoiando-a e torcendo para que ela reencontra-se psicologicamente.
"A batida do meu coração retumbou como um tambor na minha cabeça. Eu sou, eu sou, eu sou."

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