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A mulher na janela - A.J. Finn

Título: A mulher na janela
Autor (a): A.J Finn
Publicação: Arqueiro - 2018
Número de páginas: 352
Onde encontrar: Amazon, Saraiva, Skoob.
Nota: 🌟🌟🌟🌟🌟
"Não é paranoia se está realmente acontecendo."
Anna Fox vive sozinha em uma enorme e bela casa depois de se separar do marido e sua filha ir morar com ele. Ela é psicóloga e agorafóbica, ou seja, ela tem medo de se expor em lugares abertos/ lugares públicos, então além de viver sozinha vive isolada e trancafiada em casa. Ela vive a partir de altas doses de vinho, remédios, filmes antigos e bisbilhotar a casa dos vizinhos com a sua câmera. Parece que Anna viu algo acontecer na casa dos Russells, mas será paranoia? Será que ela criou isso na sua cabeça? Ou será que isso foi consequência de muito vinho misturado com suas medicações?
"Alguns têm pavor de gente, outros, da desordem do trânsito. Para mim, o problema está na vastidão do céu, na desmesura do horizonte, no simples fato de estar exposta à pressa acachapante da vida ao ar livre."
Nessa história a protagonista Anna vive do ócio por conta da sua condição psicológica e a sua válvula de escapa hora é espiar os vizinhos, hora é conversar com outros agorafóbicos no site Ágora, onde ela ajuda os seus amigos virtuais por ser psicóloga. Mas ela tem exagerado no vinho e escondido isso da sua família e do seu médico. Além de assistir muito filme de crime e suspense.

Quando os Russells se mudam para a rua, nasce uma obsessão. Ela passa a vigiar essa família dia após dia. Conhece Ethan, o filho do casal e se afeiçoa, assim como, Jane, a mãe do garoto. Mas em uma noite, depois de muito vinho, quando ela está bisbilhotando a família, ela vê algo muito cruel acontecer. E aí Anna começa a ficar obcecada com essa história. Ela acredita ter visto isso e até enfrenta a rua para ajudar a sua vizinha. Parece que ninguém acredita nela, todos acham que ela está surtada por conta da sua condição psicológica e do abuso do vinho. Mas será que ela viu o que acha que viu? Ou ela está realmente surtando?
"Bisbilhotar é como fotografar a natureza: a gente não interfere no que está vendo."

O autor constrói essa história aos poucos. Durante os primeiros capítulos vamos conhecendo a personagem e entendendo a sua agorafobia. Assim ficamos verdadeiramente presos a história. Os acontecimentos vão se mostrando gradualmente. E quando o possível crime acontece, estamos tão dentro da história que, assim como Anna, nos questionamos quanto a veracidade dos fatos. O autor criou com maestria uma trama baseada em dúvidas e questionamentos, assim passaríamos por altos e baixos dentro da história. Somos apresentadas a tantos detalhes que a todo momento tentamos encontrar o x da questão.
Eu, particularmente, gosto quando somos envolvidos por muitos fatores e personagens, para que, desde sempre dentro da história podermos questionar cada um. Esse é o tipo de história que até te faz pirar, até porque se trata de uma personagem, a qual, não podemos confiar. Você não sabe se pode confiar nos pensamentos e até mesmo na narrativa dela e isso te prende em uma teia de dúvidas. Cada elemento foi cuidadosamente colocado na história para te encher de dúvidas e cada detalhe importa. O difícil mesmo é juntar as peças, afinal, o que conte e o que não conta para desvendar o mistério?

Será que Anna viu um crime acontecer na casa dos seus vizinhos mesmo? Ou será que o fato de ela estar presa o tempo todo em casa faz com que ela comece a inventar coisas em sua cabeça? Será que o fato de ela misturar vinho demais com medicamentos pesados faz ela ter alucinações? Ou será que ela apesar de tudo está lúcida e o crime aconteceu? O sr Russell é um homem violento mesmo? do que ele é capaz? São muitas perguntas e questionamentos que te fazem engolir essa história. A paranoia acaba passando para você! Porque você sente que precisa MUITO terminar e descobrir o que de fato aconteceu.
“Sinto a garganta doer. Vou até a janela e fecho as cortinas.E fico ali na escuridão do quarto, sozinha até a medula dos ossos, sentindo frio, sentindo medo, ansiando por alguma coisa que não sei muito bem o que é.”
Sempre que leio thrillers eu acabo criando tanta teoria que acabo me aproximando demais de desvendar o mistério, isso quando não consigo desvendar. Esse em uma cena específica, eu desconfiei. Mas tanta coisa acontece que acabei desistindo de criar teorias e fui surpreendida no final! Realmente me surpreendeu! Achei realmente tão bom quanto o pessoal andava elogiando.

A.J. Finn me conquistou. Ele criou um trama envolvente, colocou os elementos necessário, numa belíssima escrita, com personagens bem criados e em capítulos pequenos. Já estou ansiosa para os próximos lançamentos do autor aqui no Brasil!
"Com uma taça numa das mãos e a Nikkon na outra, me sento num canto do escritório de onde posso ver tanto a janela que dá para p sul quanto a que dá para o oeste. Hora de bisbilhotar a vizinhança. Ou de fazer o meu controle de estoque, como Ed gosta de dizer."

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