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Uma proposta e nada mais - Mary Balogh

Título: Uma proposta e nada mais (Clube dos Sobreviventes #1)
Autor (a): Mary Balogh
Publicação: Arqueiro - 2018
Número de páginas: 271
Onde encontrar: Amazon, Saraiva, SkoobSubmarino
Nota: 🌟🌟🌟🌟,5

"As pessoas compreendem a linguagem do coração, mesmo que a cabeça nem sempre consiga"
Depois da guerra a casa de campo de um duque na Cornualha, tornou-se um abrigo para 5 ex-militares e a viúva de um oficial, que acabaram construindo uma sólida e bonita amizade. Anos depois, eles continuaram se encontrando para dividir seus problemas e estar juntos. Quando Hugo Emes vai reencontrar os amigos, ele compartilha a sua necessidade de arranjar uma esposa, após a morte do pai. Mas o que ele não esperava, depois de tantas pertubações e brincadeiras, era que acabasse realmente se sentindo atraído por uma mulher naquele local, ainda por cima uma dama. Gwendoline, Lady Muir, foi visitar uma "amiga" que se tornou viúva recentemente, mas a visita não aconteceu como ela imaginava. Em uma busca por espairecer na praia, algumas eventualidades a levam a conhecer Hugo, Lorde Trentham. Apesar das diferenças os dois logo se veem atraídos, o que resulta em alguns momentos apaixonantes. Eles são extremamente diferentes e inadequados um para o outro, mas nada disso vai impedir que sentimentos surjam. Contudo, será que o que eles sentem será suficiente?

Desde a série "Os Bedwyns" já gostava muito da escrita maravilhosa de Mary Balogh e da forma como ela cria seus personagens, mas esse livro elevou muito esses sentimentos. A história tem pontos incríveis, que me tocaram e emocionaram. O principal deles para mim, é a construção dos personagens. Eles são tão verdadeiros, tão de carne e osso como nós, que tocaram o meu coração.  Além do conteúdo, que edição linda é essa gente? Tá demais! 
" - E para que dizer algo se as palavras não tivessem significado?"
Tanto Gwendoline como Hugo já passaram por muitas coisas difíceis na vida. Ela teve um casamento cheio de altos e baixos, sofreu um acidente, perdeu duas pessoas que amava e se sente responsável por alguns desses fatos. Depois de anos como viúva, apesar de ter uma família maravilhosa, Gwen começa a se sentir solitária e a desejar um novo casamento, para quem sabe apaziguar a solidão recém descoberta. É uma personagem que carrega muita bagagem, mas mesmo assim, não se deixou amargurar. Ainda vê e espera o melhor da vida. 
"...mas nunca sentia pena de si mesma. Bem, quase nunca. E, quando isso acontecia, passava logo. A vida era curta demais para perder tempo com lamentações. Havia sempre muito o que comemorar"
Já Hugo, acabou decidindo se tornar um militar, ao invés de seguir os passos do pai, depois de um acontecimento em sua vida. Ele batalhou muito por sua carreira, e é  considerado um herói, o que não o impede de carregar culpa por decisões que tomou. Quando seu pai morre ele se torna responsável por sua madrasta e sua meia-irmã, Constance. Também se compromete em gerar um herdeiro, e são esses os motivos para ele buscar um casamento: ter um filho e ajudar Constance a se casar. Apesar da fachada rígida e carrancuda, ele é muito mais do que permite que os outros vejam. 

Os dois são muito diferentes, tanto em personalidade como em história de vida. Ela nasceu aristocrata, ele se tornou um após seus atos na guerra. Apesar das singularidades, conseguem entender muito bem como o outro se sente. Gostei da interação entre eles, da construção do relacionamento aos poucos, apesar da paixão inicial, da forma como eles tentaram ver se podiam superar as diferenças. Achei mais uma vez, que Mary trouxe a vida real para seu romance. 
"Conte tudo. A culpa vai permanecer. Sempre será uma parte sua, mas, ao compartilhá-la,  ao permitir que as pessoas a amem apesar dos pesares, você ficará bem melhor"
Outra coisa que amei nessa história foi a amizade do clube dos sobreviventes formado por: cinco ex-oficiais militares, um duque que perdeu o filho na guerra e a viúva de um oficial. Eles foram para a casa do duque em um momento extremamente doloroso, e enquanto se curavam acabaram construindo uma linda amizade. Adorei como eles dividem suas cicatrizes, adoram estar juntos e a interação divertida. 
"Eram sobreviventes e tinham força para levar a vida adiante. Contudo, de uma forma ou de outra, também carregavam cicatrizes. Entre eles, não precisavam esconder isso"
Entre todos os temas que a autora aborda nesse livro, gostei da atenção que ela da a saúde mental. Tanto a guerra como outros fatos da vida não deixam apenas marcas físicas no indivíduo e a autora abordou isso de um jeito muito bacana. É uma temática que precisa ser discutida, me empolguei com achá-la em um romance de época. 
"...mas acho que o mar é vasto demais...nos lembra do pouco controle que temos sobre a vida, por mais que tentemos planejar e organizar tudo com cuidado. Tudo muda da forma mais inesperada e tudo é assustadoramente imenso.Somos pequenos demais"
A autora me surpreendeu muito nessa história porque ela nos apresenta um romance de época repleto de verdade, discutindo assuntos bem importantes.  E ela faz isso, com leveza e fluidez.  Apesar de me apaixonar pelo volume, não foi 5🌟porque esperava mais do final, achei que acabou sendo corrido. Mesmo assim, é um livro muito bom. Estou ansiosa pelos próximos volumes do "clube dos sobreviventes".  Ah e se você ainda não leu  "Os Bedwyns", é mais uma dica que vale a pena dessa autora maravilhosa! 














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