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[Resenha] - A irmã da sombra, de Lucinda Riley

Título: A irmã da sombra (As sete irmãs #3)
Autor (a): Lucinda Riley
Publicação: Arqueiro - 2016
Número de páginas: 512
Onde encontrar: AmazonSaraivaSkoob
Nota: 🌟🌟🌟🌟🌟


"Um ser humano sem amoré como um botão de rosa sem água. Sobrevive por um tempo, mas nunca desabrocha por inteiro."

Esse é o terceiro volume da série "As sete irmãs" e é o volume que conta a história de Estrela. Com a morte de seu pai adotivo, Pa Salt, começa a busca de Estrela pela sua origem, seguindo os passos deixados por seu pai quando ainda estava em vida. Ela é a irmã tímica, quieta e pouco comunicativa, além de ser super dependente da sua irmã Ceci. Mesmo assim ela sente que chegou a sua hora, hora de saber quem é e o que pode ser. Ao arrumar um emprego numa livraria, ela está cada vez mais perto de saber a história do seu passado através de Flora MacNichol.
"A única responsável pelo seu destino é você. Mas é preciso ajudá-lo a acontecer."

A história desse volume é bem delicada e também dramática. Ela intercala a narração de Estrela nos tempos de hoje e de Flora que vivia a cerca de 100 anos antes. Assim como os demais volumes conhecemos duas histórias, uma contemporânea e uma de época. Nesse não é diferente, a história de Flora é um dramático romance de época. Lucinda criou duas histórias que juntas fazem todo sentido e se encaixam perfeitamente. Com sua escrita sempre fluida, inteligente e gostosa, nos conduz por essas descobertas junto com as personagens. Eu amo a inteligente com que ela cria suas histórias e nos envolve na mesma.

Estrela parece um pouco comigo, ela é mais tranquila, tímica, quieta e ama a sua família. Além de ser apaixonada pelo universo literário. Ela inicia essa história ainda dependente da sua irmã Ceci e muito insegura, até iniciar a sua grande busca. É notório que ela precisava dessa aventura para se conhecer, se descobrir e buscar antigos sonhos que estavam esquecidos. Ela cresce muito durante a história e o seu desenvolvimento é construído muito bem. Eu amei ver o desabrochar dela e conhecê-la melhor. 
"Gosto de fazer coisas de casa e cuidar dos outros. Você acha isso errado?"

"Nesta época em que nós, mulheres, precisamos ter carreiras e tentar superar na marra os obstáculos invisíveis que nos impedem de chegar ao topo, você quer dizer?"
"Isso."
"Não vejo nada de errado nisso, Estrela."
"Bem, eu gosto das coisas simples. Adoro cozinha, jardinar, manter a casa bonita...e adorei cuidar de Rory. Fiquei feliz."
"Então é esse que deve ser o seu objetivo. Você vai precisar de mais um ingrediente para fazer a magia acontecer, claro."
"Qual?"
"Você não sabe?"
"Sei. Amor."
E quando eu digo que "Lucinda criou duas histórias que juntas fazem todo sentido" é porque a caminhada dessas duas personagens é de superação, regados de autoconhecimento e descobertas e redescoberta do amor. Isso porque a história de Flora não é fácil. Mas é MARAVILHOSO ir conhecendo a sua história, as suas dificuldades, superações e ver uma personagem feminina forte e peculiar.
"Sabe de uma coisa? Estou começando a pensar que uma vida de solteira seria muito conveniente para mim. Vou morar em um chalé cercada por animais, que terão por mim um amor incondicional. Parece-me bem mais seguro do que amar um homem."
"Queria ser um esquilo. Eu também gostaria de hibernar no inverno."
Esse certamente é o meu volume favorito até aqui. O desenrolar e a troca de narrativas me pegou de jeito e me conquistou totalmente. A sensação de romance de época quando narrado por Flora foi muito gostoso de ler e se envolver e se apegar aos personagens e suas histórias. Assim como conhecer uma grande mulher, que é diferente do padrão imposto. Amei a mensagem que foi passada de que a mulher tem o seu poder de escolha, isso é empoderamento. É ser o que quiser ser. É ter uma carreira ou não ter. Ter um marido ou não ter. Querer ter filhos ou não querer. Amei! Pra mim, foi o melhor da série até agora.
"Eu gosto de coisas simples: cuidar da casa, cozinhar, jardinar... Não sou muito ambiciosa. Isso é errado?"

"É claro que não! Enfim, todos nós ficamos satisfeitos que a emancipação feminina tenha avançado, e vou lhe dizer uma coisa: nós, garotas dos anos 1980, fomos pioneiras, a primeira geração de mulheres instruídas a fincar o pé num mercado de trabalho dominado pelos homens. Mas acho que o que fizemos simplesmente deu uma escolha às mulheres que vieram depois. Em outras palavras, permitiu a elas serem quem quiserem ser."
"A verdade é que a considero minha heroína. Espero que um dia minha vida se pareça com a dela."

"Como assim? Uma velha solteirona cuja única companhia são os animais e as plantas?"
"Uma mulher independente que tem seu próprio dinheiro e pôde escolher o próprio destino, você quer dizer?"

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