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[Resenha] Vá, coloque um vigia - Harper Lee

Título: Vá, coloque um vigia
Autor (a): Jill Santopolo
Publicação: Arqueiro - 2015
Número de páginas: 225
Onde encontrar: Amazon, SkoobSaraiva
Nota: 🌟🌟🌟🌟
"Porque assim me disse o Senhor: Vá, coloque um vigia, que anuncie o que vir."
Nossa querida Scout, está de volta. Agora uma mulher adulta de 26 anos, Jean Louise Finch, como é chamada agora, mora em Nova York, mas está de volta para visitar a sua família em Maycomb, no Alabama. Era para ser uma feliz e agradável visita à sua família e amigos, mas acabou sendo perturbadora ao descobrir verdades sobre a sua família e pessoas que ela ama.
"Que desgraça era aquela que tinha se abatido sobre as pessoas que ela amava? Estava vendo aquilo em toda a sua crueza porque tinha permanecido longe? Era algo que fora acontecendo aos poucos ao longo doa anos? Ou tinha estado sempre ali, na cara dela, mas ela não tinha visto? Não, isso não..."
Essa será, talvez, uma das mais difíceis que já fiz. Isso porque antes de ler essa história a maioria das resenhas que li foram negativas e eu entendi e até concordei com as opiniões, mas isso não fez com que a minha experiencia fosse ruim.  Estava ansiosa para reencontrar Scout, a nossa "heroína de O sol é para todos", porque a história anterior foi realmente muito marcante por suas opiniões e atitudes de impressionar.

Essa história já se inicia com uma bomba, ao nos depararmos com a perda de um personagem importante. Isso me chateou bastante no início! E claramente os personagens foram todos descaracterizados. Você simplesmente volta anos depois nessa história e não reconhece ninguém!
Até que as primeiras revelações começam a acontecer e as coisas que estavam ruins, ficaram ainda piores. 



A história se passa em meados de 1950 e o assunto era nada mais, nada menos que a segregação racial. E quanto a opinião da nossa Scout, quanto a preconceitos e racismo, nós já conhecemos pelas suas histórias da infância. Ela cresceu tendo seu pai, Atticus, como referencia para todas as coisas. E agora ela começa a desconfiar das boas práticas do seu pai. Aqui vemos a decepção compreensível da protagonista em relação as pessoas que ela mais ama. Ela sente-se traída e que não se encaixa mais com aqueles que ela considera "seu povo".

Me perguntei muitas vezes o que aconteceu para essa reviravolta? Como pessoa podem tornassem outras?  Senti a dor e a decepção de Scout na pele. Mas aí resolvi pesquisar e descobri que essa foi a história original de O sol é para todos!! Fiquei pasma com essa "novidade". Pelo que parece os manuscritos foram recusados e foi aconselhado que Harper Lee escrevesse uma história sob o olhar de uma criança. E então "Vá, coloque um vigia" nunca seria publicado. E estranhamente, foi.Isso explica o fato de essa história desconstruir absolutamente tudo e todos do livro anterior, você se sente até perdido. 
"Lembre-se disto também: é sempre fácil olhar para o passado e ver como éramos ontem ou dez anos atrás. Difícil é ver o que somos hoje. Se conseguir fazer isso, vai sobreviver."
Ai você me pergunta: "Mas e porque em meio a tantos comentários e opiniões negativas você gostou da história?" e eu te respondo: "Não sei exatamente." hahahahah. Eu comecei essa leitura com  expectativa realmente de ver o pessoal do livro anterior, principalmente Scout. Sabia que nesse volume ela estaria adulta e eu queria saber mais do que aconteceu depois. Então, eu mergulhei nela, na narrativa fluida e quando vi já tinha acabado e gostado. Foi aí então que fui fazer algumas pesquisas e reflexões e reconheci os pontos negativos. Tem uma coisa que é muito abordada e me tocou BASTANTE, que é sobre a visão infantil de Scout sobre o pai e a mesma dela como uma adulta. Essa parte é muito tocante. 
"Meu Deus, as coisas que aprendi. Eu não queria que o meu mundo fosse perturbado, mas quis destruir o homem que está tentando preservar esse mundo pra mim. Eu queria acabar com todas as pessoas iguais a ele. Acho que é como com um avião: eles são a resistência e nós somos a propulsão; juntos, fazemos a coisa voar. Se nós formos muitos, o nariz da aeronave pesa; se eles forem muitos, a cauda pesa...É uma questão de equilíbrio. Não posso vencê-lo, mas tampouco posso me juntar a ele..."
Como disse no inicio dessa resenha, ela foi muito difícil de ser posta em palavras escritas e até ficou bem curtinha. Pra mim, foi bem interessante o que foi abordado e levando em conta tudo aquilo que eu falei sobre a publicação, eu gostei. Ele não deveria ter sido publicado, mas enfim...
"A ilha de cada homem, Jean Louise, o vigia de cada um é sua própria consciência. Não existe essa coisa de consciência coletiva."

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